Crocheteando!

Crocheteando!

crochet

Tricotava furiosamente!
A cada estação esgotava-se o tempo para mais uma fiada! Com mestria zurzia as agulhas metodicamente e a cada ponto dado adivinhava-se o desenho.
Simultaneamente, debatia o quotidiano ao jeito de quem desfia o novelo de uma vida também ela tecida com as mãos.

Naquela carruagem percebeu-se que as toalhas devem sempre ser engomadas, que as calças devem ter o primor de um vinco e que não se aceita o enrugado de uma qualquer peça e soube-se, em definitivo, que na arte de engomar não deve haver desleixo.

Se dúvidas houvesse desfaziam-se na mestria com que ponteava a malha.

Mais uma estação e uma nova laçada de agulhas dava continuidade à conversa. Esta nova geração que, apressada, não põe esmero no ferro. A filha, saiba-se, até é habilidosa no passar mas, óbvio, não tão perfeita como a artesã que ali connosco viaja. Talvez a jovem, ainda a meio do seu naperon de vida, daqui a uns anos, consiga alcançar o zénite na arte de alisar o tecido.

Tudo é método. Tudo obriga a preceito tal como as pontas das agulhas que não falhavam um fio.
Depois de aprendermos a doutrina da separação da roupa em montes, são horas de fazer as contas ao padrão já executado. Nova estação passou e, acertado o número de pontos com o desenho, é tempo de avançar para uma nova fase do rendilhado. “Lá para o Natal”, anuncia com algum orgulho o prazo que, para si, estabeleceu.

Campolide!
Foi rápido!

Apressadamente guardou os instrumentos de artifice e por pouco não conseguia sair da composição. Duas palavras mais e lá foi. Decerto projetando novas cores, novos pontos a dar para, sabiamente, continuar a desfiar o novelo da vida e a tecer novos e alegres desenhos.

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