
Que estação é esta?
O entusiasmo contagiante daquela criança rivalizava com o individualismo de quem por ali vai embrenhado nas suas rotinas.
A cada estação redesenhavam-se novas perguntas desafiando o conhecimento materno e o sorriso de quem, entretanto, se apercebia que a cada apeadeiro um novo mundo aparecia aos olhos daquela criança.
No jogo dos nomes e das cores que surgiam no caminho, a pueril inocência bebia avidamente a nova experiência e cutucava a curiosidade de quem, por hábito, não atenta nos detalhes.
Quem era a Santa Cruz da Maia? – pergunta então. Desdobrando-se em explicações, e não colhendo convencimento, a mãe foi salva por Benfica. Aquela estação que finalmente dizia algo à criança. A pequena rapariga não era fã de futebol, coisa de meninos, mas sabia que por ali havia o “campo” de uma equipa. Percebeu-se o benfiquista da progenitora quando, de imediato, e com propriedade, logo corrigiu a filha afirmando convicta “Sim. O Estádio da Luz, do Benfica”.
E eis que surgem as emoções maiores. “Mãe, olha, olha… Tantos comboios… Estão avariados? E olha aquele… É verde! Não é como o nosso. E…”
Campolide é onde começam as verdadeiras sensações. Locomotivas diferentes, carruagens diferentes, linhas e mais linhas paralelas ou entrecruzadas, aparelhos estranhos… Um mundo que nos marca o imaginário!
E logo depois o Túnel! As luzes que passam por nós, o som diferente…
Era espantoso todo este novo universo fantástico que uma viagem de comboio lhe apresentava e que nós tão bem conhecemos mas deixámos ficar, algures no tempo, a magia que aquela criança nos trouxe de volta.
Rossio. Naquele dia, tal como antes, ansiei pela próxima viagem.
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