Minha eternidade…

Minha eternidade…
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O eterno é ambíguo, bipolar…

Acontece. Desaparece. Afirma-se! Nega-se!

Veste a pele de cada um de nós e transforma-se de acordo com a mente que o olha, que o mede.

Eterno pode ser tudo e nada ser. Um momento, um segundo, a vida ou a crença de tudo mais além de nós e da humanidade.

Eterno é um sorriso ou um olhar, um toque ou um beijo, uma loucura ou a paz momentânea, um quente raio de sol em Dezembro ou um dilúvio refrescante em Agosto. Não sei definir o eterno senão na dimensão do sentir à medida de cada coração ou de cada alma. É egoista essa coisa da eternidade que consignamos no limite do nosso ser e daquilo que abraçamos, amamos e acreditamos.

Queria escrever sobre a eternidade mas, de cada vez que a tento definir, descubro novos horizontes e procuro novas definições para o eterno. Porque se transforma a cada instante, crescendo ou diminuindo consoante a intensidade daquilo que queremos ou não catalogar com um sempre.

Alguém uma vez disse que nada é eterno. Alguém uma vez disse que tudo é eterno. Eu digo que não somos nem eternos, nem nada, nem tudo… Somos eternos na medida daquilo que nos limita e eu gostava, desejo ser tudo aquilo que está além dos meus limites, da minha própria existência.

Mas o eterno é simples. É o que permanece de nós próprios nos outros, nas coisas, pelos simples atos que praticamos. Uns lembrar-se-ão da obra, das palavras, das imagens, dos gestos, de algo… Outros não.

Eu só quero ser eterno no coração dos genuínos, na alma dos sentimentos sinceros que, momentaneamente, vão pontuando a minha existência ou na memória daqueles que, mesmo não o dizendo em voz alta, têm por mim aquele afeto que, indelével e subtilmente, deixa marca. Daquelas marcas que um aroma, um sabor, um toque, som ou olhar fazem aflorar um sorriso ou uma sonora gargalhada ao recordar o momento em que partilhamos um desses sentires.

Tenho em mim essa humana crença no sempre do amor ou amizade e comigo aquilo e aqueles que se cristalizaram no meu ser.

Eis a minha eternidade!

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