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Lembram-se decerto que, quando éramos miúdos, havia sempre no grupo aquele rapaz que era o dono da bola. Normalmente, era aquele que jogava pior mas que, por ser dono do esférico, ditava as leis do jogo, escolhia as equipas e, se estava a perder o jogo, ia-se embora e levava a bola. Deverá ter sido o primeiro contacto que muitos de nós tiveram com uma determinada forma de democracia. É assim Basílio Horta e a sua definição errada de democracia onde se julga o dono da bola apesar de não jogar bem.

Atentemos à breve publicada hoje na Revista Sábado. O atual Presidente do Município afirma que só se recandidata se souber, antecipadamente, que ganha. Para além de uma chantagem inaceitável sobre os eleitores e de um deturpadíssimo sentido de Democracia que, todos sabemos, lhe deve estar entranhado na pele desde o primórdio da sua vida política, esta postura encerra ainda um profundo desrespeito por Sintra, pelos Munícipes e até pelo PS. Provavelmente entenderia ele que nem eleições deveria haver.

Mas mais grave é o facto de, a sensivelmente 4 meses das eleições nada estar definido. Mais do mesmo. Temos anúncios, concursos, alcatrão, pequenas obras aqui e ali que são, com o nosso dinheiro, ao sabor do vento, nada mais que promessas de campanha. Entretanto, nem uma obra concluída e o principal foco é a oposição à oposição para tentar criar as tais condições antecipadas para ter Basílio recandidato.

E eu que pensava que, em Democracia as sondagens não ditavam vencedores; E eu que pensava que os candidatos, ganhassem ou perdessem, assumiam os seus cargos com espirito de missão; E eu que pensava que os projetos eram mais do que partidos e que eram manifestos pelos quais se deveria lutar no poder ou na oposição.

Mas também, eu nunca dependi do Dono da Bola para jogar e fazer o que tinha que fazer e sempre soube o que era a verdadeira Democracia, uma equipa e que, mesmo que perdesse, ficava e lutava até ao fim.

Dr. Basilio Adolfo Horta, Sintra não é a bola nem o jogo de ninguém, muito menos de um só e dos seus “caprichos”.

Fica a pergunta: se for a “jogo” e perder fica a lutar por Sintra e pelos Sintrenses ou pega na bola e abandona o desafio?? Acho que todos sabemos a resposta sobre quem ficará independentemente do resultado final.

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