Quarto Crescente

Quarto Crescente

Encetámos caminho.

Não sabíamos destino nem trajeto e abraçámos o desafio. Quantas vezes não é assim a vida.

Tantas dúvidas mas a certeza que a jornada seria inesquecível aliava-se à vontade e impelia-nos para a subida.

Fomos. Os primeiros metros mais fáceis enchiam a confiança e aceleravam o passo.

Veio o Monte da Lua.

O restolho dos passos firmes e acelerados no terreno irregular foram-se impondo no silêncio da noite e, pouco a pouco, dando lugar ao respirar ofegante da caminhada. As certezas encontravam agora as pedras do caminho que, uma a uma, se levantavam e tornavam em duvidas.

Hesitei.

Queria saber o destino e antecipar as dificuldades.

Ponderei.

Mas os desistentes nunca vencem e os vencedores nunca desistem.

Respirei fundo, ajustei o passo, alertei os sentidos e as pedras do caminho cederam ao lento mas decidido caminhar. Ultrapassei o mais difícil dos adversários: EU!

Nunca o breu foi tão claro.

Pouco a pouco cada passo era uma vitória, cada descoberta uma conquista. E naquela noite a caminhada tornava-se na analogia de uma vida, de qualquer vida.

Chegámos!

A necrópole era a metáfora do destino final e a Lua, que espreitava, aqui e ali, por entre folhagens no caminho, mostrou-se finalmente no seu esplendor iluminando os sorrisos de quem se desafiou e conquistou a sua luz.

Única!

Vimos, ouvimos, cheirámos, tocámos… e como a Lua naquela noite crescemos mais um pouco e percebemos que somos muito mais que aquilo que a luz desvenda. Somos a profundidade do sentir pleno, a força da vontade inabalável e o acreditar que as dificuldades são apenas parte do caminho.

Somos a conquista que quisermos ser.

Seguimos sabendo que a lua vai espreitando nas clareiras mas está sempre lá, esperando o nosso abraço!

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