
Sou reflexo.
De imagens, sombras e marcas que se me deparam a cada instante.
Sou superfície espelhada com capacidade de absorver sensações, representações fatos e atos.
Sou água polida que interpreta aparências do que se debruça no humor tranquilo de uma manhã calma e solarenga ou no turvo ondulado duma corrente agitada por ventos e chuvas.
Sou retrovisor de viatura que me exibe estradas palmilhadas e horizontes transpostos.
Sou vidro partido, estilhaçado por pedras que batem, rachado por impactos inesperados, emaranhando imagens que se retratam nos pedaços de mim.
Sou jogo de espelhos de feira que deturpam realidades, emagrecendo sentimentos, engordando invejas, entortando sorrisos ou esticando olhares.
Sou reflexo.
Porque retribuo na proporção do que se me apresenta. Concedo ao belo aquilo que de mais sublime consigo entregar;
Restituo ao feio a oportunidade de se tornar mais estético ou olhar uma vez mais o reflexo num espelho que não muda e o pode tornar hediondo;
Correspondo ao brilho e à tranquilidade da imagem translúcida que se espraia na água tranquila de um dia primaveril ou à tempestuosa imagem envolta nas ondas agitadas por impetuosas marés;
Traduzo experiências de caminhos explorados num pretérito cujo horizonte se esbate à medida que a viagem continua.
Qual vidro inquebrável, aguento os embates que estalam e fragmentam a minha estrutura mas não me derrubam nem trespassam.
Uso um labirinto espelhado de paredes convexas e côncavas cujas imagens se vão ajustando consoante a necessidade de adulterar uma realidade por vezes perversa, por vezes demasiado ideal.
Sou reflexo.
Apenas e só espelho vivo de reminiscências dinâmicas que por mim passam, param, olham, frontalmente ou de soslaio.
Sou reflexo.
Porque devolvo aparências, emoções, luzes e sombras ao mundo que tenho defronte mim.
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Esta secção fornece uma visão geral do blog, apresentando uma variedade de artigos, perspetivas e recursos para informar e inspirar os leitores.
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