
Tenho no olhar horizontes
Que só eu vislumbro,
Possuo no espírito confins
Que só ele pressente.
Vou em busca dessas estremaduras
Tateando os intangíveis limites,
Redefinindo fados supostos
Dando substância ao pensamento
Tenho no peito o pulsar
De afetos e sensações,
Tenho na alma o faiscar
Da vontade e da firmeza.
Vou ao compasso da respiração
Palmilhando o trilho da existência,
Alumiado por trémulas candeias
Progredindo resoluto e inabalável.
Tenho nas mãos a virtude
De agarrar, modelar e edificar,
E nas pernas a robustez
De ir, galgar e correr sem vacilar.
Vou afoito e amedrontado
Certificado pelo pretérito,
Audacioso no momento
Mas cauteloso no vindoiro.
Tenho tanto quão eu próprio
Mas sempre afora o que posso ser,
Tenho em mim o que fui e serei
O quê? Juro, não sei!
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