Tenho-me…

Tenho-me…

Tenho no olhar horizontes  

Que só eu vislumbro, 

Possuo no espírito confins  

Que só ele pressente. 

Vou em busca dessas estremaduras 

Tateando os intangíveis limites, 

Redefinindo fados supostos 

Dando substância ao pensamento 

Tenho no peito o pulsar 

De afetos e sensações, 

Tenho na alma o faiscar 

Da vontade e da firmeza. 

Vou ao compasso da respiração 

Palmilhando o trilho da existência, 

Alumiado por trémulas candeias 

Progredindo resoluto e inabalável. 

Tenho nas mãos a virtude 

De agarrar, modelar e edificar, 

E nas pernas a robustez  

De ir, galgar e correr sem vacilar. 

Vou afoito e amedrontado  

Certificado pelo pretérito, 

Audacioso no momento 

Mas cauteloso no vindoiro. 

Tenho tanto quão eu próprio 

Mas sempre afora o que posso ser, 

Tenho em mim o que fui e serei 

O quê? Juro, não sei! 

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