Vocês sabem lá
o que sofre o sorriso
quando não é honesto
E o usam sem pudor
vestindo-o como fantasia
alegre e colorida
escondendo a alma
Que arde sentida na dor
Vocês sabem lá
Como o desespero viaja oculto
No brilho de uma lágrima
que salta furtiva e se esgueira
daquele olhar distante
Sombrio e tristonho
levando consigo emoções
que não ousamos revelar
Vocês sabem lá
o que dói aquela gargalhada
Mentirosa, sonora e vazia
da vibrante sinceridade
de quem não sendo feliz
veste a máscara do riso
por cima dessa negritude
que habita o coração
Vocês sabem lá
se apenas finge o ator
quando declama a agonia
de personagens inventadas
saídas da irrequieta pena
que vai bailando sem destino
pelo papel antes imaculado
E agora tatuado pelo autor
Vocês sabem lá,
se nem eu sei o que em mim há

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