Categoria: Gatafunhos


  • 3 Tempos – ESTAR

    Tempo Como estás?  Perdido, consumido, talvez esgotado Ganho, usufruído, quem sabe aproveitado Excedente, desprovido, decerto desocupado Confuso, concreto, quiçá planeado Garantido, duvidoso, afinal destinado Livre, inibido, espontâneo, tencionado  Tempo Como estás?  Soturno, acabrunhado, deveras misterioso Animado, atrevido, assaz radioso Encoberto, melancólico, denso nebuloso Cristalino, jovial, vivo luminoso Enfurecido, trovejante, génio tempestuoso Sereno, cintilante, feitio caloroso …

  • Tempo Tenho ou talvez não  Para escrever, apagar e te ler Prosas ou versos de bem-querer Para criar, destruir ou me fazer Sujeito, adjetivo, verbo ser Para gritar, silenciar ou lhe dizer O sentir, uma dor, aquele prazer  Tempo Tenho ou talvez não  De ir, tornar, viajar e te transportar Nos braços de uma inteira ilusão De…

  • 3 Tempos – SER

    Tempo Foi, É e será  Passado, presente ou um intento Dor, prazer, mero sentimento Curto, longo num só momento Inerte, viagem, simples movimento Escuro, cintilante, algo pardacento  TempoFoi, É e será  Cruel, Bondoso, nunca Indiferente Meninez, envelhecido, sempre adolescente Doce, amargo, por vezes insipiente Veloz, moroso embora persistente Nenhum, escasso, muito ou excessivamente  TempoFoi, É e…

  • Quo Vadis, Portugal?

    De um poema de Ruy Belo Tenho sido um mero observador e, na altura devida, uma eleitor consciente do que fazia quando exerci os meus direitos. Sobre tudo o que se passou durante a campanha e no período que mediou entre as eleições e o dia de hoje, pautei a minha postura pela sobriedade e…

  • Procuro-me?!

    Bato à porta do passado. Procuro aquele inquilino que outrora ali habitou esperando que me traga as respostas por que anseio. Em vão. Pela porta entreaberta vislumbro um vulto, imagens difusas, que se assemelham a quem ali vivia, naquele ido tempo que mal recordo. Procuro semelhanças. São poucas. Naquele espaço pretérito já não mora a…

  • Escrevo-te como és!

    Escrevo-te como és Profundamente Sentido Por vezes Furtivo Enleado e Lânguido Mistura Doce Disfarçando o Amargo O Primeiro lembrado O Ultimo magoado Vil Traidor Sempre Único Terno Paterno Protetor Materno Louco Desejado Desesperadamente Roubado Sincero Amigo Vão mas Cortês Simples Cumprimento Naturalmente Saudável Inocente Na face Sinal Respeitoso Por vezes Forçado Delicioso se Amado Incontrolavemente…

  • Travessa dos momentos

    Caminhando sozinho por entre vielas que saúdo diariamente, quantas vezes não dou por mim a estabelecer datas ou metas, a fazer balanços e a projetar novos futuros?!  Entre paredes marcadas pela erosão do tempo porque não questionarmo-nos? Porque não olhar noutras perspectivas e quiçá pormo-nos em causa?  Faz parte da nossa evolução, do nosso ser…

  • Empresta-me um abraço!

    Das Sábias paredes, tentativa de um poema.. Empresta-me um abraço, Prometo que to devolvo. Não o quero só meu Nem será nunca só teu Quando em ti, aconchegado, Docemente me envolvo. Empresta-me um abraço, Prolongado, enleante e sentido. Que me ampare e segure Mas logo me solte, livre, E juro que na mesma medida Em…

  • Arranhar a alma

    Incontáveis as vezes que caímos no trilho que percorremos. Por vezes, voltamos atrás e ao passarmos no mesmo sítio esquecemos que ali estava o buraco. Aquele buraco onde tropeçámos, onde nos magoámos e fizemos a ferida que, pelo caminho, parecia ter sarado mas que, de novo, ao provarmos o sabor amargo da queda, voltou a…

  • Ser Mar

    Ser Mar

    Ali estavas.  Em ti vislumbro um horizonte  Longínquo, distante  Difuso, mas Definido  Sempre intangível  Quero abraçar-te  Ou deixar-me envolver  Na espuma que espraias  Decerto Mergulhar  E enfrentar marés revoltas  Ou sargaços enleantes  Para poder tocar  O traço que nos esboças  Ali estavas  Soberano, tranquilizante  Metáfora de uma qualquer vida  Sulcada nos quatro ventos  De incógnitos…