O calendário diz ser Natal.

O dia, a quadra, a época… todos, tudo grita bem alto ser Natal. As luzes ganham formas e piscares cintilantes, a música tem acordes a condizer, a fraternidade parece acontecer, procura-se a paz, o amor, a concórdia… Dizem que é Natal!
Mas o que é Natal?
Algo fátuo, um sentir que passa, uma ação que só agora faz sentido, um adorno que nos dá alento, uma razão que o coração desperta a cada Dezembro e se esfuma em Janeiro, ou um motivo, um simples motivo, para nos metamorfosearmos em simulados seres radiantes de boas ações, crença e solidariedade que, prontamente, compartimentamos algures para reutilizar no ano seguinte?
Não! Não quero que seja Natal e sim que todos sejamos Natal!
Sim. É isso! Quero ser sempre Natal! Quero que todos sejamos, todos os dias, Natal!
Quero poder ser sempre tudo aquilo que o Natal intensifica e amplifica em todos nós.
Claro que a dor também molesta mais, as ausências tornam-se mais saudosas, as mágoas mais profundas e o cinismo (ainda) mais hipócrita. Mas isso também é parte do ser Natal, de ser humano de verdade, mero mortal.
Mas quero que, tal como agora, se contemple o mais sublime dos brilhos e se façam esboços de cores mil, e que ajudar o próximo seja natural e constante; Desejo que, no peito, o coração palpite frenético e se soltem livres os mais genuínos sentimentos; Deixem sempre os sorrisos refulgirem como hoje, os abraços apertarem mais forte, a alegria vibrar desgovernada; Quero que a cada minuto de cada dia a honestidade seja indissociável da amizade e a vida seja aquecida pelo mais quente amar.
É isso! Quero ser Natal! Quero que todos sejamos, sempre e a cada instante, Natal!
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